quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Peço a palavra para declaração de voto

"O meu ofício é dizer o que penso”. François-Marie Arouet – Voltaire (iluminista francês, 1694 -1778) Ainda atordoado com essa suspeita resposta das urnas blindadas contra qualquer questionamento, mais um degrau do meu calvário desde que um desembargador me tirou da Câmara por liminar para beneficiar o suplente, havia pedido uns dias de descanso e reflexão ao nosso mestre Hélio Fernandes. Tinha medo de escrever sob a influência da amargura que experimentava, embora sabendo que minha caminhada nunca foi sobre um tapete de rosas. Em todos os momentos de nossa história, por alguma razão, sempre fui tratado como o patinho feio, aquele “ET” de hábitos anacrônicos, que não pode ser assimilado no triângulo dos podres poderes. Como toda essa tortura continuada da banda torpe de uma Justiça plenipotenciária jamais vai me vergar, jamais fará render-me ou acovardar-me, antes, pelo contrário, cheguei à conclusão de que o refúgio na penumbra é tudo que desejam os tutores de todos os poderes. Posto isso, formalizo a desistência do silêncio temporário. E o faço na condição de cidadão-contribuinte-eleitor preocupado não apenas com os que manifestaram sua confiança em mim pelo voto. Neste momento, move-me igualmente o desejo de alcançar a todos no indispensável posicionamento público em relação às eleições para a Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro. E se tomo a iniciativa de oferecer meu depoimento é em respeito aos eleitores de uma cidade que não se pode render às máquinas milionárias que ocupam visualmente todas as suas esquinas e agem com a maior sem cerimônia na exploração da memória curta da população, alimentadas pelo vendaval de desinformação, manipulação e má fé que varre o país do Oiapoque ao Chuí. Pecados capitais Eu diria que há um solerte enlace entre as ambições pessoais, a avidez de poder, a sordidez, a mediocridade, o cinismo e o arrivismo de uma meia dúzia de astuciosos impostores, audaciosos canastrões que não se acanham em usarem enganosas palavras na maior cara de pau, produzindo grosseiros estelionatos semânticos da mais abjeta inspiração. Falar de uma frente de esquerda em torno de um candidato saído da estufa da direita mais elitista, mais agressiva, mas desumana é abusar criminosamente do vernáculo. Oferecer a cidadãos ainda pensantes um personagem concebido na alcova de uma elite que detesta pobre, que trata o drama social como caso de polícia, que tem um prontuário de arbitrariedades contra os miseráveis é praticar a mais sórdida impostura. É profundamente lamentável que nessa farsa indecente, nessa fraude vocabular associem-se prepostos que ostentam sobrenomes legendários e herdeiros cartoriais de heróicas catacumbas, numa ofensa deliberada à própria memória de quem tinha como principal preocupação ser coerente e fiel ao povo, de onde brotou para enfrentar os poderosos. Não há contingência nem prebenda que justifique trocar uma biografia admirável, uma verve fecunda, uma real potencialidade de gestão criativa da grande urbe por quem fez de sua sinuosa carreira uma inescrupulosa busca do poder a qualquer custo, principalmente ao custo de seguidas traições. Sem querer partir para a ignorância, também não posso aceitar com a sutileza dos astutos essa empulhação de viés fisiológico mesquinho e indisfarçável. Uma diferença visível Qualquer um sabe que entre os que ficaram para a disputa final há uma enorme diferença, em todas as rubricas. Um tem passado provado em todas as procelas, idéias férteis, visão profunda, talento verdejante, cultura inigualável. É íntegro, nunca vacilou na defesa dos valores morais e da dignidade, fez-se no sonho de uma juventude corajosa, conheceu o mundo e dele tirou boas lições. Outro ainda não disse a que veio. Ou melhor, veio exclusivamente na busca do poder, de qualquer poder, por qualquer caminho, em qualquer companhia, com qualquer discurso, sem qualquer escrúpulo no deixar o dito por não dito e na carona oferecida por qualquer desafeto. Esculpido por quem renega hoje sabe Deus porque, não deixa de ser o mesmo algoz d’antão, até por vício de formação, correndo o risco de ser pior do que o soneto. Se fosse de falar de frente de esquerdas a esta altura de um momento constrangedor, em que os partidos ditos ideológicos perderam a honra, ao se franquearem para mistificadores da fé e proxenetas do crime organizado, essa frente teria que reforçar aquele que por toda a vida, nas horas mais duras, optou pelo sacrifício da utopia mais generosa e jamais abriu mão do dogma da honradez, sem o qual tudo mais é uma deslavada hipocrisia. Sei que falei com pessoas encurraladas, sem direito de divergir, mas a elas disse que tenho deveres com minha própria saga e, acima dela, tenho uma cláusula pétrea com a cidade que me acolheu, quando aqui cheguei, naquele abril de 1959, na pureza de uma adolescência inquieta. Por tanta andança fui conhecendo pessoas – desde os valorosos sonhadores até os canalhas sem pejos e sem freios. Conheci, sim, naqueles dias juvenis, ainda na escola secundária, essa figura vocacionada, destaque natural em todos os episódios de nossa história comum por seu talento, capacidade de raciocínio, coragem e despojamento. Os tempos se passaram, com todos os percalços e todas as adversidades, eu jamais o perdi de vista, mesmo combatendo em trincheiras paralelas. De todos esses dessa geração de ouro que se deu por inteiro ao mais belo dos sonhos, ele foi sempre o mais lúcido, o mais profundo, o mais exigente. Foi duro na queda, sem perder a ternura jamais. Pode até ter entendido o mundo como um revisionista dos tempos modernos, no que estamos em desacordo, porque eu continuo fincando o pé na mesma contradição básica da velha dialética. Mas tudo que fez foi imbuído da mais honesta convicção, com honestidade e segundo sua percepção dinâmica. Poucos brasileiros estão tão bem preparados para os desafios de um momento de incertezas como ele. Poucos poderão fazer de seu talento uma ferramenta poderosa para a reconquista da auto-estima da população desta que ainda é a cidade mais encantadora do Brasil, que precisa tão somente de um timoneiro que ainda considere a honestidade um valor inarredável e tenha criatividade para dotá-la da flama e do brilho que lhes são inerentes. Por certo, você acaba de conhecer a minha declaração de voto: por fidelidade histórica, vou de Fernando Nagle Gabeira. Um muito obrigado. Primeiro quero agradecer aos que me honraram com sua confiança – 9.624 apareceram no cômputo final, embora, com 42% dos votos apurados, até o TRE dar uma parada, eu já estivesse com mais de 8300 votos. Depois, agradeço também aos que me enviaram e-mails e me telefonaram. Oportunamente, teremos a oportunidade de uma conversa olho no olho. A todos declaro: minha sina é lutar em qualquer trincheira pelas causas justas deste povo enganado.

5 comentários:

Salete disse...

Porfírio, permita-me agora ser mais íntima e tratá-lo assim porque pela 1ª vez votei aqui no Rio (venho do sul) e sou sua eleitora; leio sempre que posso seus artigos e eles sempre fazem sentir-me mais consciente da minha cidadania e fortalecem os príncipios herdados e alimentos pelos meus pais. Acompanho você, anônimamente, desde que vim para o Rio, quando da quebra da Varig e a roubalheira, descaso e injustiças transformaram meu marido num desempregado,"velho para o mercado de trabalho", mas lutando como um garoto em início de carreira. Por tudo o que você representa, votamos (meu marido e eu)em você, só que eu tinha certeza que você seria eleito mas ... continuemos nossa luta Porfírio, porque assim como você, nós também não permitimos que essa podridão nos derrubem e nem nos corrompa porque sabemos ser cidadãos nesse país que quer nos calar e/ou devorar!
Parabéns pelo seu artigo!

Anônimo disse...

Boa noite
Te admiro muito como pessoa, cidadao, jornalista e político.
Politico, palavra essa que tenho receio atè de pronunciar porque nao confio en nenhum. Claro há exceçoes. rarissimas mas há. Nem tudo está perdido. Mas, para consertar esse nosso país politicamente falando, creio imfelilzmente que será impossível.
Bem. mas essa é minha òpiniao e digo mais nós sociedade somos culpados. Sim, mas quem nos leva a essa situaçao desesperadora sao os proprios politicos quando nos imprimem uma educaçao de nível algum pròximo ao aceitável e ainda por cima nos obrigam a votar no candidato de plantaó. Gente boa claro que há, somo brasileiros, somos humanos podemos dizer que nessa raça tudo pode acontecer, e, o poder é cego por ele o cidadao é capaz de tudo para perpetuarse nele. Aí, entáo prefiro ser amigos e confiar nos animais, na natureza em Deus. Chega......

Anônimo disse...

Porfírio,
Você é um homem honrado.Parabéns pela sua dignidade e decência.Nem
tudo está perdido no PDT.Jorge Roberto da Silveira,idem.
Tenho certeza que Leonel Brizola e Darcy Ribeiro estão orgulhosos da
sua honestidade e coerência.
Há braços brizolistas gaberianos!

Unknown disse...

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